Beit Midrash

Beit Midrash

domingo, 8 de maio de 2011

PROJETOS SOCIAS PARA IGREJAS




Mateus 6.34, diz: Ao desembarcar, viu Jesus uma grande multidão e compadeceu-se deles, porque eram como ovelhas que não têm pastor. E passou a ensinar-lhes muitas coisas. Esse versículo sempre mexeu muito comigo, desde a minha juventude, quando tinha cerca de 17 anos, eu e outros colegas ficávamos a pensar o que poderia ser feito para melhorar a vida dos outros a partir de uma iniciativa e visão cristã. Contudo, na verdade passou-se o tempo e não conseguimos realizar nada do que havíamos pensado, ficou apenas no pensamento, nunca se tornou prático, ou seja, não passou de um simples e abstrato pensamento.
Atualmente esses pensamentos me têm novamente perturbado, quero viver um Evangelho prático, que não esteja somente preocupado com o teórico, o abstrato, quero fazer algo de significativo que transforme pessoas, que seja capaz de mudar sua realidade, mas então surge uma pergunta, como fazer isso? Sinceramente ainda não sei a resposta, tenho buscado-a, mas é difícil encontrar, pois o meio em que vivo, relaciono-me e prego dificilmente faz esse tipo de reflexão. O mundo tornou-se tão rápido, dinâmico, competitivo, individualista que não temos mais tempo para pensar nas outras pessoas, ficamos distraídos por essa realidade de ilusão sombria que estamos vivendo. Talvez por isso, o número de pessoas que buscam significado para suas vidas tenha aumentado, e como não conseguem atingir esse patamar de busca se frustram e se destroem.
Esse quadro que descrevi se assemelha muito com o texto descrito por Mateus, uma multidão que anda de um lado para o outro em busca de algo, como ovelhas sem pastor. Então penso que a solução é dada nesse mesmo texto, mas de que forma? Primeiro Jesus passa a ensiná-las. Toda mudança começa com o ensino comprometido, que seja capaz de mudar circunstancias adversas. Ensino para mim é sinal de reflexão, de busca por compreensão e mudança de realidades a partir de um pensamento lógico, organizado, sistemático, comprometido com a praticidade transformadora.
Em seguida o texto de Mateus nos revela que os discípulos ficaram preocupados com a situação das pessoas, e queriam que Jesus as despedisse a fim de que encontrassem comida, pois o lugar era deserto. Neste exato momento Jesus quebra toda lógica humana descomprometida, ou melhor, comprometida apenas com o pensar, e diz: por que vocês mesmos não dão de comer a essa multidão? A resposta é lógica como faremos isso com tão pouco recursos? Nessa hora meus amigos, começa um dos milagres mais extraordinários do Novo Testamento, a multiplicação dos recursos escassos. Muitos pensam que o milagre aconteceu como num passo de mágica, mas não foi assim!
Primeiro Jesus organizou a multidão em grupos de cem e de cinqüenta, demonstrando que é preciso haver uma sistematização, uma organização que seja prática e eficaz. Então um projeto de mudança social radical, não deve ser assistencialista, imediatista, realizado apenas com o intuito de aliviar a consciência de quem o executa. Mas deve ser pensado e elaborado, para que possa realizar mudanças estruturais, e não apenas paliativas.
No segundo momento, Jesus toma os recursos escassos, levanta-os aos céus e os abençoou, ou seja, as provisões dos recursos não acontecem por um esforço humano, por melhor que ele seja, mas por uma provisão divina, uma graça misericordiosa, que abunda e transforma o pouco em muito. Após isso, vem o terceiro passo, a distribuição para quem necessita. Primeiro para crianças, pois o risco de vida para elas era maior devido às condições inóspitas do local, que desencadearia possíveis desidratações, em segundo os idosos pelos mesmos motivos e grávidas caso houvesse na multidão, em terceiro as mulheres, em quarto os homens, e por fim os discípulos. Com isso o milagre foi estabelecido, testemunhado e vivido por todos aqueles que ali estavam.
Quero agora que voltemos um pouco à ordem da distribuição que coloquei acima: crianças, grávidas e idosos, mulheres, homens e por fim os discípulos. Essa é uma ordem estrutural básica para qualquer projeto social, sendo assim, tente começar um projeto a partir desses grupos, de preferência foque em um no inicio.
Agora passarei a falar de alguns projetos que pesquisei e achei legal colocar aqui: o primeiro que destaco é o Programa de Atendimento Interdisciplinar em Ambiente Extra-Clínica; que tem como objetivo levar às comunidades escolares com populações carentes um atendimento multidisciplinar in loco. Este programa é focado na prevenção, estimulação e capacitação para melhorar o desenvolvimento emocional, cognitivo e psicomotor do individuo, visando facilitar o aprendizado formal e diminuir a evasão escolar.
Outro seria a Oficina Pedagógica: atendimento a alunos com dificuldade de acompanhar o ensino formal. Essa atividade é um apoio ao desenvolvimento da escolaridade e cidadania. Também neste programa são realizadas palestras visando auxiliar professores e pais, esse projeto poderia ser realizado em parceria com universidades que desenvolvem programas de extensão.
Atendimento em grupos: visa estimular à criação de grupos de idosos, onde se realizaria encontros semanais, em que se desenvolveriam atividades físicas, de danças, atividades sócio-culturais e artes, bem como programas de alfabetização para adultos. Também outro grupo que se poderia criar seria o de atendimento a grávidas, neste seria dado palestras, atendimentos médicos e sociais. E ainda a criação de um grupo que poderia ser voltado para educação de jovens, onde se reforçaria os estudos das disciplinas de português, matemática, biologia, química, física e outras disciplinas. Enfim as possibilidades são enormes, basta boa vontade, organização e envolver os membros das igrejas nestes programas.                            
                 
        

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Questão de Saúde Pública!


Anvisa discute proposta de proibição dos anorexígenos no Senado


5 de maio de 2011
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) voltou a discutir, na segunda-feira (2/5), a proposta de retirada do mercado dos medicamentos anorexígenos do tipo anfetamínicos (anfepramona, femproporex e mazindol) ou à base de sibutramina. O assunto foi debatido em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal, por iniciativa do senador Paulo Paim (PT-RS).Durante a audiência, o diretor-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, lembrou que os produtos do tipo anfetamínicos não existem na Europa desde 1999 e que a subtramina foi retirada do mercado norte-americano pelo próprio fabricante após a conclusão do estudo SCOUT, que durou seis anos e envolveu cerca de dez mil pacientes.“Se o laboratório que registrou o produto optou pela sua retirada, como fica a situação das agências reguladoras? Seremos menos rigorosos que a própria Abott ?”, indagou Dirceu Barbano.Em relação à eficácia da substância, o SCOUT concluiu que apenas 30% das pessoas tratadas com sibutramina perderam pelo menos 5% do peso após três meses. Por outro lado, essas pessoas registraram um aumento de 16% no risco cardiovascular.Também participaram da audiência a diretora da Anvisa, Maria Cecília Brito, o representante da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Geniberto Paiva Campos, a representante da Associação Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Rosana Bento Radominski e o coordenador Executivo da Sociedade Brasileira de Vigilância e de Medicamentos (Sobravime), José Rubem de Alcântara Bonfim, também representando o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) na ocasião.Para José Rubem, “o fato desses medicamentos apresentarem um consumo crescente no Brasil quando estão proibidos em várias outras partes do mundo só pode se explicar pelos interesses econômicos das indústrias”.Por sua vez, a endocrinologista Rosana Bento Radominski defendeu um maior controle sobre essas substâncias e não a proibição das mesmas.Ao falar sobre a pressão social para que as pessoas sejam belas, elegantes e magras, Geniberto Paiva Campos, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ressaltou que  “alguns remédios têm certo conteúdo mágico, o que deixa a população num nível de expectativa muito grande”. Ainda, segundo ele, “as proibições, embora não pareçam muito simpáticas, são necessárias”.O presidente da Comissão, senador Paulo Paim, afirmou que a discussão do assunto será aprofundada em nova audiência pública, que deve ser realizada em parceria com a Subcomissão Permanente de Promoção, Acompanhamento e Defesa da Saúde (Cassaude)  no dia 31de maio às 9h.


*Com informações da Agência Senado
Luana Cury - Imprensa/Anvisa

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Teólogo desnuda religiosidade fast-food

Luiz Alexandre Solano Rossi, teólogo


A sociedade de consumo está in­­fluenciando o pensamento religioso e o comportamento dos cristãos. Quem observa a mudança é o professor do mestrado em Teologia da Pontifícia Universidade Cató­lica do Paraná Luiz Alexandre Sola­no Rossi, que acaba de relançar o livro Je­­sus vai ao McDonald’s: teologia e sociedade de consumo. “Deus não pode ser vis­to como um bem a ser consumido, como se fosse uma mercadoria a mais. É o que procuro mostrar”, diz. 

Segundo Rossi, em alguns tipos de teologia praticadas nas igrejas, tanto protestantes quanto católicas, é possível observar a transformação de Jesus em um produto. A consequência, reforça o pesquisador, é que a vivência cristã acaba se equiparando a uma loja de fast-food, na qual o cliente “escolhe” o que bem entende, nos moldes da chamada Teologia da Prosperidade. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Qual o impacto do consumismo na Igreja e na teologia?

O impacto se dá em dois momentos. O primeiro é na formação de uma cultura que nega a coletividade, fazendo com que a teologia deixe de ser vista como um instrumento de proteção da vida, principalmente da vida dos mais vulneráveis, para se tornar um instrumento individual. O segundo impacto é que o fiel começa a pensar mais no seu sucesso e bem estar pessoal do que nos outros. Para atender a esse desejo, muitos migram de uma comunidade para outra, seja católica ou protestante, como se fossem lanchonetes de fast-food. Se a pessoa percebe que igreja tal tem uma certa eficiência, se ouve que lá dá resultado, então se muda. Desa­­parece o compromisso com uma doutrina, uma história, uma tradição. 


Diante desse cenário, as igrejas deveriam se reinventar ou se manter como sempre foram?

As igrejas precisam ler os sinais que a sociedade emite, reinventando-se a cada dia. E perceber como a mensagem cristã pode responder às grandes questões, influenciando a sociedade. A sociedade de consumo já fez a sua parte criando a chamada Teologia da Prosperidade. Essa teologia diz que o plano de Deus é fazer o homem feliz, abençoado, próspero, um sucesso absoluto. A complexidade é que, para esta teologia, só não é próspero, saudável e feliz quem carece de fé ou quem não cumpre o que a Bíblia diz a respeito das promessas de Deus. Quando não, as pessoas destituídas de êxito são malvistas, como se estivessem envolvidas com as forças do diabo ou em pecado. Essas situações estão muito aquém da religião. A teologia tem de proteger e não dizer que alguns seres humanos são miseráveis porque pecaram, ou coisa assim. De forma alguma, Deus os chama. 

Quais são outras consequências negativas do consumismo impactando a teologia?

Um deles é a que a preocupação do indivíduo passa a ser somente consigo. A responsabilidade coletiva deixa de existir. A segunda é a superficialidade, a falta de reflexão. Temo que as pessoas hoje não queiram refletir da maneira como deveriam, atitude típica da cultura pós-moderna. Tudo se tornou muito rápido e superficial. E a superficialidade gera mediocridade. Diria que muitos pregadores jogam para suas plateias, dominicalmente, pílulas religiosas revestidas de Prozac, alienando o povo do mundo real. Isso é antiteologia.


Como deve ser, então, a relação das pessoas com a religião?

Um dos pontos essenciais do cristianismo é o seguimento de Cristo. Ser discípulo é seguir o que Ele ensinou. O que implica estar junto daqueles que vivem à margem, sem dignidade. É o primeiro passo. O segundo é uma questão prática. O fiel precisa superar a promessa da Teologia da Prosperidade com aquilo que chamo de Teologia do Suficiente. A religião pode nos ajudar a pensar o que é o bastante, o necessário para que possamos viver com dignidade, sem explorar de forma ilimitada o nosso planeta.

 O consumismo na religião é um caminho sem volta?

Sou um otimista. Dentro das igrejas vê-se a influência intensa da Teologia da Prosperidade. Mas, por outro lado, tem-se no ambiente religioso tanto aqueles que aderiram à teologia influenciada pela sociedade de consumo como gente que refuta essa fórmula.



Dica da @Debyelis


Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/#ixzz1KXqJiqO5
Under Creative Commons License: Attribution Non-Commercial Share Alike

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Palestra: Jesus e o Império, Prof. Dr. Donizete Scardelai.

Shalom a todos. 

Palestra que ocorrerá em Manaus nos dias 27 e 28 de maio de 2011. Abaixo segue a programação: 

TEMA: Judaísmo e sua relação com o movimento original de Jesus.

Objetivo Geral:
Proporcionar ao público alvo de Manaus a oportunidade de um aprofundamento acadêmico de temas bíblicos relevantes para o diálogo judaico-cristão no Amazonas. Visto que esse Estado possui uma das mais antigas comunidades judaicas do Brasil.  
Data do evento:  
Primeira turma: 27 de Maio/2011- Horário: 8:00 às 12:00 e 14: às 18:00
Segunda turma: 28 de Maio/ 2011- Horário: 8:30 às 12:00 e 13:00 às 15:30
Local: Auditório da Livraria Paulus em Manaus.
Inscrições: Valor - R$ 30,00 com direito ao livro: Da Religião Bíblica ao Judaísmo Rabínico,do referido autor que ministrará o curso. As inscrições podem ser feitas diretamente na livraria Paulus (Endereço: Rua Itamaracá, Centro, esquina avenida 7 de Setembro, ao lado da Farmácia Popular). 




Um forte abraço. 
Cláudio Nogueira. 

domingo, 10 de abril de 2011

ÉTICA DA ESPIRITUALIDADE - Parte I

Quando pensamos em ética automaticamente nos remetemos a um comportamento padrão, no entanto essa padronização moral nos é imposta pelo meio social onde vivemos. Sendo assim, o padrão comportamental de ontem pode não ser o mesmo de hoje ou de amanhã. Esses conceitos estão cada vez mais em voga, devido à pós-modernidade. Atualmente se fala bastante no conceito de modernidade líquida, ou seja, os valores éticos, morais, sociais, culturais, religiosos mudam tão rapidamente, que não podemos mais falar em valores sólidos de uma determinada comunidade.
Os valores éticos não são mais desenvolvidos ou pensados de forma comunitária, no presente falamos de comportamento individualizado, numa sociedade que não é mais pensada em grupo, mas de forma individual.

Como nunca registrado em gerações anteriores, a nossa vê o individuo como a fonte única de significado. Os filamentos do tecido de conexão entre as pessoas, fios que mantinham unidas famílias, comunidades e sociedades, se debilitaram. Nós nos tornamos seres solitários em busca de realização exclusivamente pessoal (SACKS, 2002, p.13).   

Esta forma de pensar é fortemente influenciada pelo apelo mercadológico, por exemplo; atualmente estão sendo desenvolvidos os medicamentos individualizados, com doses padronizadas para determinada tipo de pessoa-paciente, outro bom exemplo, seria o desenvolvimento da moda individualiza, ou seja, a roupa foi desenvolvida para aquela pessoa especifica e para determinada ocasião. Quem nunca ficou constrangido quando cruzou com uma pessoa que está usando a mesma camisa, calça ou outro adereço, isto é, queremos uma roupa exclusiva, individualiza. Além disso, existe ainda a problemática do consumismo a dominar a sociedade, pois a sociedade de consumo a cada dia cria necessidades superficiais, produzindo uma verdadeira febre e frustração naquele que não consegue adquirir ao bem maior momentâneo exposto na propaganda.            
Devido a esse padrão moderno, a igreja também passou a desenvolver uma teologia carregada de apelo individual, esse padrão comportamental pode ser contemplado nas músicas, nos sermões, nos livros desenvolvidos pelos responsáveis pelo pensamento religioso atual. O sustentáculo dessa forma de pensar a igreja, segundo Mendonça (2008), está em duas correntes filosóficas, o neoplatonismo e o transcendentalismo, em que a primeira, sustenta a supremacia do espírito sobre a matéria; e a segunda; desenvolve o imediatismo de Deus na alma humana. Esse idealismo tem pelo menos duas implicações: o distanciamento entre a religião como um saber ordenado, lógico, em favor de certo tipo de intuicionismo pessoal.  E a outra consequência seria que a religião não é pensada como um saber nem um fazer, mas como uma experiência do Divino. Ou seja, a ética religiosa passou a ser vista não como um comportamento pautado pelo padrão bíblico, que descreve que uma fé sem obras é morta (Tg 2.14-26), mas como uma experiência religiosa acompanhada de manifestações emocionais. Neste ponto vemos a influencia da ética puritana e pietista, pois para os puritanos, segundo Mendonça (2002), os sinais externos demonstravam a qualidade da espiritualidade pessoal, sendo assim, qualquer tipo de inatividade religiosa ou profissional era sinal de que ele não pertencia ao rol dos eleitos. Enquanto que o ativismo era visto como um sinal de fé e, consequentemente, da sua eleição.  
Já o pietismo colaborou para exacerbar o emocionalismo volitivo, no qual choros, desmaios, tremores, crises histéricas são características da vida do cristão verdadeiro, porém como nos aponta Mendonça (2002), foi o individualismo no cultivo da vida religiosa, a leitura solitária da Bíblia e sua interpretação literal ou espiritualizada e, especialmente, a experiência pessoal com Jesus, a influência mais importante do pietismo para o desenvolvimento do conceito da ética espiritual que temos hoje.                          
A consequência direta dessa forma de pensar a espiritualidade foi que os cristãos principalmente, os pentecostais e neopentecostais afastaram-se da cosmovisão bíblica coletiva, em que atitudes ou ações individuais afetam a sociedade como um todo (Rm 5.12,15; Js 7.1-26). Os escritores bíblicos não pensam a vida espiritual afastados da vida comunal, em outras palavras a espiritualidade somente é demonstrada na vida em sociedade (At 2.42-47), esses conceitos soam bastante estranhos, principalmente, àqueles que em semelhança aos monges católicos pensam que a verdadeira espiritualidade somente pode ser desenvolvida em uma vida afastada da sociedade.Quando pensamos em ética automaticamente nos remetemos a um comportamento padrão, no entanto essa padronização moral nos é imposta pelo meio social onde vivemos. Sendo assim, o padrão comportamental de ontem pode não ser o mesmo de hoje ou de amanhã. Esses conceitos estão cada vez mais em voga, devido à pós-modernidade. Atualmente se fala bastante no conceito de modernidade líquida, ou seja, os valores éticos, morais, sociais, culturais, religiosos mudam tão rapidamente, que não podemos mais falar em valores sólidos de uma determinada comunidade.
Os valores éticos não são mais desenvolvidos ou pensados de forma comunitária, no presente falamos de comportamento individualizado, numa sociedade que não é mais pensada em grupo, mas de forma individual.

Como nunca registrado em gerações anteriores, a nossa vê o individuo como a fonte única de significado. Os filamentos do tecido de conexão entre as pessoas, fios que mantinham unidas famílias, comunidades e sociedades, se debilitaram. Nós nos tornamos seres solitários em busca de realização exclusivamente pessoal (SACKS, 2002, p.13).   

Esta forma de pensar é fortemente influenciada pelo apelo mercadológico, por exemplo; atualmente estão sendo desenvolvidos os medicamentos individualizados, com doses padronizadas para determinada tipo de pessoa-paciente, outro bom exemplo, seria o desenvolvimento da moda individualiza, ou seja, a roupa foi desenvolvida para aquela pessoa especifica e para determinada ocasião. Quem nunca ficou constrangido quando cruzou com uma pessoa que está usando a mesma camisa, calça ou outro adereço, isto é, queremos uma roupa exclusiva, individualiza. Além disso, existe ainda a problemática do consumismo a dominar a sociedade, pois a sociedade de consumo a cada dia cria necessidades superficiais, produzindo uma verdadeira febre e frustração naquele que não consegue adquirir ao bem maior momentâneo exposto na propaganda.            
Devido a esse padrão moderno, a igreja também passou a desenvolver uma teologia carregada de apelo individual, esse padrão comportamental pode ser contemplado nas músicas, nos sermões, nos livros desenvolvidos pelos responsáveis pelo pensamento religioso atual. O sustentáculo dessa forma de pensar a igreja, segundo Mendonça (2008), está em duas correntes filosóficas, o neoplatonismo e o transcendentalismo, em que a primeira, sustenta a supremacia do espírito sobre a matéria; e a segunda; desenvolve o imediatismo de Deus na alma humana. Esse idealismo tem pelo menos duas implicações: o distanciamento entre a religião como um saber ordenado, lógico, em favor de certo tipo de intuicionismo pessoal.  E a outra consequência seria que a religião não é pensada como um saber nem um fazer, mas como uma experiência do Divino. Ou seja, a ética religiosa passou a ser vista não como um comportamento pautado pelo padrão bíblico, que descreve que uma fé sem obras é morta (Tg 2.14-26), mas como uma experiência religiosa acompanhada de manifestações emocionais. Neste ponto vemos a influencia da ética puritana e pietista, pois para os puritanos, segundo Mendonça (2002), os sinais externos demonstravam a qualidade da espiritualidade pessoal, sendo assim, qualquer tipo de inatividade religiosa ou profissional era sinal de que ele não pertencia ao rol dos eleitos. Enquanto que o ativismo era visto como um sinal de fé e, consequentemente, da sua eleição.  
Já o pietismo colaborou para exacerbar o emocionalismo volitivo, no qual choros, desmaios, tremores, crises histéricas são características da vida do cristão verdadeiro, porém como nos aponta Mendonça (2002), foi o individualismo no cultivo da vida religiosa, a leitura solitária da Bíblia e sua interpretação literal ou espiritualizada e, especialmente, a experiência pessoal com Jesus, a influência mais importante do pietismo para o desenvolvimento do conceito da ética espiritual que temos hoje.                          
A consequência direta dessa forma de pensar a espiritualidade foi que os cristãos principalmente, os pentecostais e neopentecostais afastaram-se da cosmovisão bíblica coletiva, em que atitudes ou ações individuais afetam a sociedade como um todo (Rm 5.12,15; Js 7.1-26). Os escritores bíblicos não pensam a vida espiritual afastados da vida comunal, em outras palavras a espiritualidade somente é demonstrada na vida em sociedade (At 2.42-47), esses conceitos soam bastante estranhos, principalmente, àqueles que em semelhança aos monges católicos pensam que a verdadeira espiritualidade somente pode ser desenvolvida em uma vida afastada da sociedade. 

sábado, 26 de fevereiro de 2011

A Corbã e seu siginificado.

Shalom gente!

Devido a muitas perguntas feitas sobre o assunto Corbã, resolvi postar e oferecer algumas explicações, aqui vão alguns esclarecimentos:

A referência a Corbã aparece em Marcos capítulo sete, então convido você a ler todo o capítulo e tiras suas conclusões:
1. Este texto narra o conflito entre Jesus e os costumes dos escribas e fariseus, mas cabe ressaltar que estamos falando de duas tradições, que segundo Richard Hosley - em seu livro Jesus e Império, editora Paulus - primeiro os galileus mantinham uma tradição popular, enquanto os fariseus cultivavam uma tradição aristocrática. Com isso em mente vemos que Jesus conflitava com a manutenção dessas tradições elitista, alegando serem tradições de homens e que com isso negligenciavam o mandamento de Deus.

2. A Corbã era uma oferta (sagrada) de bens (produtos da terra) que as pessoas (camponeses) deveriam entregar no Templo de Jerusalém, mas isso significava que estes bens (ofertas) não estavam sendo utilizadas para o sustento dos pais necessitados, e desta forma, descumpriam o mandamento das tábuas da Lei entregue pelo próprio Deus a Moisés, que diz: "honra (sustenta financeiramente) teu pai e tua mãe". Nesta passagem Jesus está querendo comunicar que os recursos (ofertas) agrícolas usados para os sustento dos pais devem ter prioridade sobre o sustento do Templo.

3. Neste momento cabe uma pequena explicação sobre dízimo baseado em Deuteronômio 26, por favor leia. Nesta passagem é explicada a cerca do uso do dízimo (primícias da terra) em hebraico terumot. Assim neste texto são apresentados três tipos de dízimos: a) o primeiro seria destinado aos sacerdotes israelitas e suas famílias; b) o segundo, era entregue aos levitas israelitas, do qual tiravam a décima parte e entregavam aos sacerdotes (o dízimo dos dízimos); c) e o terceiro era entregue a cada três anos aos necessitados, pobres da terra para que houvesse justiça social e não existisse necessitado na terra.

4. No entanto, quero ressaltar que este dízimo deve ser entregue no Templo de Jerusalém, aos sacerdotes israelitas, aos levitas israelitas conforme o texto de Malaquias capítulo três. Mas devido a Teologia da Substituição aplicamos este texto indevidamente à igreja gentílica. Gostamos de aplicar versículos aparentemente vantajosos financeiramente a igreja, mas esquecemos do dízimo do pobre, da viúva, do necessitado.        

Assim sendo, a Corbã é uma honra indevida, pois enquanto damos dinheiro aos líderes eclesiásticos que não precisam, nossos familiares (principalmente pai e mãe), amigos, irmãos de fé passam necessidade. Na verdade a Corbã devia ser dada a eles a fim de corrigir uma injustiça social, aplicando o princípio de repartir ensinado em Atos 2. 42. Enfim vale a pena refletir.


 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

A Verdade que nos sustenta.

Neste momento da história do Cristianismo no Brasil, vivemos uma profunda proliferação de denominações, motivadas por diversos interesses. O grande problema disso para mim é que estamos esquecendo das coisas básicas, do fundamento de nossa existência como cristãos. Ou seja, a centralidade de nossa pregação e essência como igreja é Cristo.

Em Mateus 16. 13-10, Temos a confissão de Pedro, vamos rapidamente meditar nestas passagens. Primeiro a pergunta de Jesus é: quem as pessoas pensam ser o Filho do Homem? Mas o que é o título Filho do Homem? Este era um título messiânico, que aparece muito no livro do profeta Daniel. Inúmeras respostas são dadas pelos discípulos a pergunta feita por Jesus. Mas ele, então pergunta e vocês, qual sua opinião? Pedro mediante uma revelação dos céus responde: Tu és o Messias (Cristo, em grego), o Filho de Deus. Ao afirmar isso, Jesus declara que Pedro é bem-aventurado, porque esta verdade não foi revelada por homens, mas pelo Pai que está nos céus.

Jesus diz a Pedro após esta revelação, que sua igreja (hebraico kehilah) está fundamentada por essa revelação de que Ele é o Messias. Ou seja, a função primordial da Igreja é anunciar que Jesus é o Cristo, o Rei, o Profeta, o Servo, o Sacerdote, o Salvador, o Mediador, a Exata Expressão de Deus, Aquele pelo qual todas coisas existem. Sem Jesus não há nada! Ele é o sustentador de todas as coisas. É importante lembrar que essa revelação se dá não por causa do esforça humano, mas pela vontade soberana de Deus, que revela seu Filho a quem Ele desejar.    

A igreja somente existe para proclamar essa verdade, mas infelizmente ela esqueceu-se de sua missão principal, foi seduzida pela conquista dos reinos do mundo e suas riquezas, caiu na tentação da prosperidade fácil e rápida, basta adorar Mamom. Mas espero que Deus possa revelar a verdade de Cristo a muitos que estão vivendo nessa mentira. Volte-se para Cristo, descubra as verdade do Evangelho, não aceite outro evangelho, mesmo que ele esteja sendo proclamado por um anjo, apóstolos, profetas, pastores ou líderes que falam em nome de deus, mas que não têm a verdade do Evangelho de Cristo, que foi revelado por Deus a Pedro.

Cláudio Nogueira.